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mundo
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas

Federico García Lorca

Sendo este um BLOG DE MARÉS, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.



noites com poemas 2

noites com poemas

MAR DE
POEMAS
DE MAR

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António Gedeão

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David Mourão-Ferreira

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Florbela Espanca

Joaquim Pessoa

Jorge Casimiro

Jorge Castro

José Gomes Ferreira

José Jorge Letria

José Régio

Miguel Torga

Natália Correia

Sophia de Mello Breyner Andresen

PERCURSOS EM CASCAIS - um mar de escritas
20 de Dezembro de 2008, Biblioteca Munic. S. Domingos de Rana

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22 OLHARES SOBRE 12 PALAVRAS
05 de Dezembro de 2008, Lisboa - Livraria Barata

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X ENCONTRA A FUNDA
23 de Novembro de 2008, Caldas da Rainha - Óbidos - Vau - Guisado

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22 OLHARES SOBRE 12 PALAVRAS
22 de Novembro de 2008, Porto - Palacete Viscondes de Balsemão

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IX ENCONTRA-A-FUNDA
28 e 29 de Junho de 2008, Coimbra

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FARÂNDOLA DO SOLSTÍCIO - lançamento do livro
Fotos de Lourdes Calmeiro e de Alexandre Castro
31 de Maio de 2008, no Museu da Electricidade - Lisboa

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POEMAS DE MENAGEM - lançamento do livro
Fotos de Lourdes Calmeiro e de Alexandre Castro
15 de Março de 2008, na Junta de Freguesia de Carcavelos

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VII ENCONTRA A FUNDA
Caria e Sortelha
23 e 24 de Junho de 2007

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A SENHORA DE OFIÚSA
Recinto megalítico dos Almendres
10 de Novembro de 2007

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VII ENCONTRA A FUNDA
Caria e Sortelha
23 e 24 de Junho de 2007

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OS CONVIVAS DO COSTUME - Encontro de Blogs
Parede (Cascais)
14 de Abril de 2007

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VI ENCONTRA A FUNDA
Setúbal
18 e 19 de Novembro

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HAVIA TRIGO
Miranda do Douro
05, 06 e 07 de Outubro de 2006

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V ENCONTRA A FUNDA
Porto - Vila Nova de Gaia
23,24 e 25 de Junho de 2006

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Encontro
do LETRAS COM GARFOS
Vila Nova de Gaia
17 de Junho de 2006

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Encontro
A POESIA NOS BLOGS
Santarém
4 de Março de 2006

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Dezembro 27, 2009

fotografando o dia (138)


de plástico o saquinho
que tanto polui funesto
é lixo de mau vizinho
inunda o mundo de resto

traga lá o cesto à praça
ou alcofa em vez do cesto
e verá que acha graça
à graça desse seu gesto

- fotografia e poemículo de Jorge Castro

solidário com a iniciativa da Inês e do Alexandre, pelas Caldas da Rainha,
Traga Um Cesto à Praça

Afixado por: OrCa / 11:17


Dezembro 24, 2009

24 de Dezembro de 2009


Festas felizes, boas festas, um Natal em que saibamos preencher os lugares vazios às nossas mesas com a temperatura amena dos afectos e da memória, que prevalecem.



dar a passada que falta e a outra que nos sobra
dos saberes que nos percorrem
dessa estrada perseguida pedra a pedra erguida a obra
das memórias que não morrem

e ser forte que conforte sabendo em nós ter a sorte
de singrar o azul profundo
e dar mais vida que a morte tendo por meta algum norte
de mais mundos dar ao mundo

as duas mãos estendidas para um horizonte de luz
duas vontades unidas
para que ao alto do monte não se nos depare a cruz
das verdades redimidas

- Jorge Castro
24 de Dezembro de 2009
*
E divirtam-se imensamente por aqui:

http://www.youtube.com/atenordelaopera

http://improveverywhere.com/

Afixado por: OrCa / 10:21


Dezembro 21, 2009

alguns Natais de óptima vizinhança...

De Ernesto Matos, com a sua imorredoira paixão pela calçada portuguesa. De que estão à espera para lhe conhecer a obra?


*

De Tmara (Conceição), recomendo:

Acrósticos e quadras de Natal

Não é quando
Alguém quiser
Tão pouco todos os dias.
Alguns, poucos, em que
Leves as almas se descobrem.


*


De José António Barreiros, uma excelente e melancólica reflexão:

E de repente um homem nota que é Natal. E um homem sente que há histórias para contar sobre o espírito de Natal. Porque há Natal e o espírito de Natal. E o dia de Natal. E a véspera de Natal.
Há um dia em que um homem pensa como vai sobreviver a esses dias sem entristecer demais... (ver Conto de Natal completo AQUI).

*

Da Fernanda Frazão e da Apenas Livros:

*

Do Herético, homem de sabedorias, a deixar-nos Torga, lá no seu Natal do Relógio de Pêndulo. A não perder...

*

Do Raim, traçando-nos outros olhares para o Natal (como este Natal visto por dentro...) e para o mundo no seu Raim's Blog:

*

(talvez continue...)


Afixado por: OrCa / 22:05


Dezembro 20, 2009

quem vê caras
também pode procurar corações...


No fundo, se quisermos ver com olhos de ver, o que percepcionamos da vida compõe-se daquilo que vemos e daquilo que queremos ver. Os nossos sentidos estão aí, para o que der e vier. Mas o nosso entendimento do mundo tem os filtros das nossas vivências ou, se quisermos, da nossa cultura. O milho que a senhora lança, alimenta os pombos, mas faculta o voo...

Podemos, pois, em cada momento da vida, abrir uma janela nova nas paredes desse edifício e permitir a renovação do ar e a entrada da luz.


É tão só disso que se trata quando ouço a Fernanda Frazão e a Gabriela Morais dissertando sobre a Teoria da Continuidade Paleolítica, tal como ocorreu nesta sessão dedicada ao livro A Senhora de Ofiúsa.

A terra de Ofiúsa parece-nos, então, tão óbvia, tão entranhada, que damos por nós surpreendidos por terem sido possíveis tantos anos do nosso alheamento.

E, logo depois, parece-nos fácil voar. Afinal, as asas existiam. Talvez nos faltasse, apenas, o sustento.

NOTA de rodapé: para quem considere algo exotérica esta mensagem, desengane-se. Se as ideias surgem um pouco «encriptadas», as pistas, no entanto, estão no pequeno texto e a curiosidade pode ser saciada através de um contacto junto da editora Apenas Livros. Está lá tudo...


Afixado por: OrCa / 11:00


Dezembro 15, 2009

noites com poemas
A Senhora de Ofiúsa


Maria e Emanuel, dois adolescentes, curiosos e aventureiros, pela mão da avó Ana, viajam no tempo – por meios absolutamente plausíveis, digo eu –, em terras de Ofiúsa. Assim se denominaria o que coincide com o actual espaço geográfico de Portugal… mas numa viagem que percorre dezenas de milhares de anos da nossa História!

Conforme se respiga do livro A Senhora de Ofiúsa, da autoria de Gabriela Morais e edição da Apenas Livros, mergulham eles «numa excitante aventura passada na Pré-História portuguesa, recheada de maravilhoso, fantástico e… real.

Esta área da História, cuja imaginação tem tido dificuldade em dar rosto, torna-se próxima, compreensível e quotidiana.

Partindo de actualíssimos achados arqueológicos, a autora dá vida aos nossos antepassados mais longínquos, fazendo-nos conviver com os seus objectos, conquistas culturais, possíveis costumes e rituais, em cenários reais de sítios arqueológicos, como Lapedo, Escoural, Almendres e Águas Frias. Através desses nossos “avôs e avós”, leva-nos à compreensão das características individuais e colectivas que formam a nossa identidade milenar».

Quantas vezes damos por nós, observando um pôr do Sol e perante a magnitude da Natureza, sentindo um estremecimento que parece chegar-nos de longe, desse intemporal que nos está entranhado, que nos torna tão especiais enquanto povo e, ao mesmo tempo, tão próximos da Humanidade toda e tão identificados com ela? De onde nos chega, então, essa ancestralidade, feita de sapiência primordial? E o determinismo e a adaptabilidade? De onde nos chega a palavra saudade? E os provérbios, em que somos tão pródigos? E porque é tão fácil descobrir, em cada português, um poeta?

Gabriela Morais e Fernanda Frazão, historiadoras, abraçaram a causa que investigam e trazem-nos respostas, claras, frontais, provocadoras, sustentadas na Teoria da Continuidade Paleolítica, corrente que invade os corredores das academias, com a certeza relativa que caracteriza a ciência mas cada dia com maior pujança, alicerçada nas mais recentes descobertas científicas, contrariando os valores instituídos dominantes, forjando uma nova lógica, que surpreende, estimula, exalta e encanta.

Mais não direi, que a conversa vai longa. Venham, então, ouvi-las. Eu direi apenas que aqueles saberes se encontram consubstanciados nesse livro encantatório que é A Senhora de Ofiúsa, o qual será o centro da conversa da nossa próxima sessão das Noites com Poemas. Para mim, seguramente, uma das mais estimulantes obras literárias, escritas em Português, que li em muitos e muitos anos.

Um convite a todos os que se interessam pela «alma portuguesa», com especial destaque para aqueles que vibram com o estudo da nossa História. Na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana (Bairro de Massapés, em Tires), no próximo dia 17 de Dezembro (quinta-feira), pelas 21h30.

Digo-vos ainda, com o despudor que dar a cara por uma causa justa sustenta: uma excelente sugestão para o Natal.

Lá vos espero. E tragam um amigo, também, que a sala é airosa e tem espaço.

Com um grande abraço,

Jorge Castro

Afixado por: OrCa / 08:58




tudo corre, minha gente...

hoje corremos em frente
tão depressa e de repente
que se perde assim a gente
sem sabermos onde vamos

corremos tais loucos gamos
sem saber por onde andamos
nem no penhasco paramos
gota perdida em corrente

e ficamos neste apuro
por assim nem sermos gente
que sem passado o futuro
nos desperdiça o presente.

- Jorge Castro

Afixado por: OrCa / 00:14


Dezembro 11, 2009

Aminetu Haidar

- fotografia da Agência Reuters


"Só quero regressar ao Sara Ocidental, com passaporte ou sem ele, viva ou morta"

Aminetu Haidar, activista sarauí em greve de fome em Lanzarote, afirmou, ontem, quinta-feira, acreditar que Marrocos cederá à sua vontade... (in Jornal de Notícias, 11 de Dezembro de 2009).

Quem diz que se perderam os valores? Mas quem pode, no chamado mundo civilizado, ficar indiferente a alguém que está disposto a sacrificar a sua vida pela entrega a uma causa solidária?

Informemo-nos, pois, e que cada um cumpra a sua função, pequena ou grande, enquanto ser humano.

Aminetu Haidar encontra-se em greve de fome há 27 dias (desde 14 de Novembro) e em eminente rotura física, no seu combate pela autodeterminação do povo saharauí, no aeroporto de Lanzarote, contra a prepotência - e os interesses instalados - do retrógrado governo de Marrocos.


Ver entrevista AQUI.
Ver carta aberta à sociedade espanhola no Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Ver informação da Amnistia Internacional - Portugal AQUI.

Afixado por: OrCa / 09:09


Dezembro 10, 2009

pequeno contributo para o entendimento
do que se passa
neste País:
o «choque tecnológico» no Ensino

O problema é sucinto:

1. Chegam os computadores às escolas;

2. Os computadores são ligados, para o funcionamento espectável - com ou sem ministro à vista, o que dará um resultado idêntico;

3. Uma sala de aula pode ter duas tomadas para 14 máquinas, que «alimentam» 28 ou 30 alunos;

4. Não há quem transporte os computadores (portáteis ou nem tanto) de sala em sala, o que motiva que, regra geral, são os profs a aguentarem com as dores nas cruzes, em tarefas que eufemisticamente poderemos chamar de não-lectivas;

5. Todos os computadores ligados, mais o restante equipamento, e conclui-se que não há potência necessária instalada na Escola que aguente tal carga. O reforço de potência necessário carece de um projecto específico para o efeito, de árdua confecção e obscuro processo;

6. As verbas disponibilizadas para o exercício do ano lectivo, entretanto, ou são muito bem geridas ou não chegam para os encargos com os anti-vírus, o que motiva que, depois da segunda semana de utilização, metade dos equipamentos estejam inoperacionais;

7. Não há ninguém - para além de uns profs carolas e não pagos - que faça a manutenção dos equipamentos;

8. Não há acções de formação para os profs se entenderem com os equipamentos...

Isto é o que eu vou sabendo dos profs e encarregados de educação amigos. Muito mais haveria a enunciar, mas este elenco parece-me bastante para se apurar que a situação é, verdadeiramente e no mínimo, chocante.

A qualquer anormal que queira estabelecer paralelismos com a Finlândia recomendar-se-á um teste de alcoolemia na esquadra da PSP mais próxima.

Afixado por: OrCa / 15:32


Dezembro 09, 2009

fotografando o dia (137)


eu nunca sei ao que venho
quanto ao mar carga serei
sei que me sobra em empenho
quanto sei que falta ao rei

sei de tanto que não sei
não sendo em Restelo Velho
que nem sei eu quem verei
ao ver-me nalgum espelho

e lanço ao chão o joelho
por ter de amigos distância
pois tanto vale um conselho
num mar feito de inconstância

ou ter em mim esta ânsia
velem por mim que eu por vós
velarei em circunstância
qualquer que seja e por nós.


- fotografia e poema de Jorge Castro

Afixado por: OrCa / 14:59


Dezembro 04, 2009

fotografando o dia (136)

apontamento em diário de bordo

por Costa Nova do Prado
risca-se a gente de riscas
umas por demais ariscas
outras com riscas de lado

quais joviais odaliscas
tantas riscas lado a lado
trovões e céu desabado
o tempo era de faíscas

ao almoço fui-me às iscas
lanchei ovos consolado
com jantar de pataniscas
dei o dia por riscado

- poema e fotografia de Jorge Castro

Afixado por: OrCa / 22:24


Dezembro 01, 2009

fotografando o dia (135)


Aveiro

pintam-se as cores
no ondular das nostalgias
como se o ondeio
nos redimisse
da dor dos dias

e o mar ao longe
num bater de asas
guarda tardias
vozes de fainas
que só nos chegam
nas ventanias

- fotografia e poema de Jorge Castro

Afixado por: OrCa / 09:35


Novembro 25, 2009

constantemente Victor

Constante, mesmo, é o regular aparecimento de Victor, o Constâncio, de quem não lhe ouço comentário que não vá no sentido de propor o congelamento salarial de (quase) tudo e de (quase) todos, em cada aparição nesta ribalta alugada que é a «comunicação social».

Alias e a propósito, o próprio nome da dita dita a sua improvável e desconexa existência. «Comunicação social» em contraponto com o quê? «Comunicação anti-social»? Existe uma «comunicação não social»?

Mas o certo é que o Victor, de Constâncio, lá nos trouxe mais um diktat para o Natal.

Ele que não é eleito, nem ninguém - que se saiba - lhe pede e segue opinião, faz questão de nos brindar com o desgosto da sua presença, de tempos a tempos, sempre cirurgicamente «oportunos» - preparam-se as discussões salariais do costume para o ano que vem - para meter o bedelho na vida dos concidadãos.

Guru, vestal ou oráculo, pranta sentenças sobre os dinheiros alheios como se alguém lhe encomendasse sermão. Ou será que alguém lho encomendou...?

E fica-me a inelutável certeza de que o Victor, tão Constâncio, lá vai cumprindo o frete, apenas se dirigindo aos pobrezinhos, aos desafortunados, à ralé. Àqueles para quem o sofisma, a ilusão de 1% de aumento ainda parece fazer diferença, que aos outros tanto se lhes dá. Estão sempre garantidos.

Constâncio, neste estado deplorável de coisas em que o País está transtornado, é aquilo que, tão lamentavelmente, temos de mais constante: a informação atempada de que são, estão e ficarão pobres todos aqueles que são, estão e ficarão pobres.

Parece que é para isso que lhe pagam, a ele, tão bem... Há bons empregos, neste País.

Afixado por: OrCa / 14:22


Novembro 24, 2009

a ser (mais uma) verdade...
Isabel alçada a ministra com um mestrado de fora?

Dizem-me, agora, que Isabel Alçada anuncia curricularmente um mestrado que é, afinal, um «masters» de dois mesitos, frequentado nos States, mas invocado como mestrado para consumo da indigência interna...

Tremendo, isto de alguém vir sentenciar que não será credível a ministra ajuizar sobre um mestrado qualquer, quando assim esgrime um seu «masters» a fazer de conta que é mestrado.

E lá se irá - a ser verdade - mais um crédito por água abaixo... Ah, esta mania dos títulos académicos, que tanto faz sofrer o novo-rico!

Nunca nada, em Portugal, é o que parece ou se anuncia. É, lamentável e recorrentemente, o triunfo da aldrabice, da pulhice, ou da esperteza saloia que campeiam impunemente.

Que treta de «cozinhado» andamos para aqui a condimentar para os nossos filhos!

Mas, afinal, digam-me cá: é mesmo verdade, isto? Ou não passa de boataria invejosa?
*
A propósito de uma oprtuna chamada de atenção que me é feita sobre a eventualidade de, através de um comentário do teor acima, estar também eu a dar eco àquilo que eco, porventura, não terá... eu direi que, sim, isso é verdade e o efeito pode ser, ele também, pernicioso para o «desidério nacional».

Ocorre, apenas, que se espera das figuras públicas uma impoluta postura de verdade curricular, mormente no que diga respeito a algo tão elementar como sejam as respectivas habilitações académicas.

Não me repugna, minimamente, que um varredor de ruas, ontem, venha a ser, hoje, ministro de uma administração interna, por exemplo. Haja mérito reconhecido, obra feita... e o tal currículo impoluto.

Mas é conhecido, em contraponto, o fascínio que o «canudo» exerce sobre os mal-formados do nosso quotidiano, como expressão (ou impressão) de poder, instrumento sem o qual se sentem incapazes de o exercer, por uma lógica social doentia e distorcida de que são mentores e subservientes.

Claro que o poder tem mais a fazer do que andar a correr atrás de boatos para os desmentir. Mas, perante os factos enunciados - de fácil desmontagem se não corresponderem à verdade - talvez fosse boa prática - democrática, civilizada, exemplar... - que um Ministério como o da Educação emitisse adequado desmentido oficial... devidamente factual, reservando-se o legítimo direito de penalizar os boateiros.

A sua ausência incomoda a minha cidadania.

Portugal precisa de ar e de claridade.

Afixado por: OrCa / 01:18


Novembro 21, 2009

uma semana com poemas

Noites com Poemas. Desta vez com Contares e Cantares de Goa.

Na abertura, tivemos a acolher-nos Helena Xavier, a nossa anfitriã de sempre, que compensa a sua habitual vontade de passar despercebida, com essa tão grande disposição e disponibilidade para ser a madrinha de tantos projectos culturais, mobilizadores da comunidade, em que nos apraz estar incluídos.

Depois, uma caixa de surpresas, de onde a poesia, o canto, a música, a dança, foram brotando. O Grupo EKVAT (RAÍZ, em concani), pontuados pela obra de poetas goeses que Elsa de Noronha nos foi trazendo...

Uma manifestação espantosa dessa multiculturalidade que os portugueses sempre abraçaram e promoveram, de modo talvez mais ou menos consciente mas que não convive bem com fronteiras geográficas, como ficou uma vez mais provado, quer pelo desempenho dos artistas presentes, quer pela receptividade da audiência, pois que uma sala como aquela assume, de súbito, a dimensão do mundo.

O salão polivalente cedo ficou composto. A curiosidade e a mobilização deram-se as mãos e cedo houve que reforçar os lugares para tamanha afluência.

Houve tempo, espaço e interesse em experimentar e aprender a graciosidade do sari, com os seus seis metros de fino tecido envolvendo o corpo feminino, oportunidade para acrescentar um prazenteiro exotismo à celebração.

Graciosidade e exotismo que nos chegava, ao mesmo tempo, das danças com que o Grupo Ekvat nos presenteou...

... gratificando-nos por essa inquietação que nos levou mundo afora, transformando, depois, este recanto ocidental no cadinho de culturas e saberes que nos enforma.

Houve alegria nos cantares, erradicando saudosismos. Porque a alegria é a manifestação de viver, hoje e aqui. Trazendo connosco o passado, mas de olhos postos no futuro.

Chegado o momento de homenagear João Coutinho, amigo de várias outras andanças, cujo empenhamento e envolvência na organização e congregação de tanta gente, tornaram todo esta sessão tão aparentemente fácil, com tudo tão colocado no seu sítio, fluente e agradavelmente disposto. E, de realçar, uma e outra vez, sem outro interesse envolvido para além da fruição e partilha do momento.

Homenagem, ainda, aos vinte elementos do Grupo Ekvat que, tão alegremente, nos trouxeram a distante Goa àquele chão de Tires.

Testemunho que o João rapidamente transmitiu a essa Senhora - com maiúscula assumida -, Elsa de Noronha, pela forma superior de comunicação em que ela sabe transformar a poesia dita... e de quem somos devedores de tanto ensinamento, que saberemos cultivar se a humildade nos suplantar a inveja.

E veio, de seguida, um cházinho goês, estranho, talvez, para paladar não habituado, mas delicioso e retemperador...

... promovendo e propiciando um generalizado convívio, gerador de salutares cumplicidades, manancial de novos projectos.

Os amigos de sempre disseram presente, como sempre deles se espera. Por eles, para eles e com eles faz sentido combater desânimos e picardias, com que o dia-a-dia nos transtorna o dia. E neles reside a emoção de um abraço.

Segundo alento da sessão, retomada por insistências várias, mesmo correndo o risco de perturbar o convívio entretanto instalado, mas dando cumprimento à nossa matriz de apelo à participação de todos os presentes. Uma outra vez, pelos caminhos dos poemas, com Elsa de Noronha oferecendo a flor do amor a quantos estavam. E como se não lhe bastassem as palavras, ofereceu-nos, cantada, uma emocionante versão muito pessoal da Ave Maria...

... que teve o condão de influenciar e sugestionar todos os presentes...

... que encetaram um coro espontâneo - e afinadinho, que a sala estava bem preenchida de belas e experientes vozes! - em volta de um tema popular português, pedra cimeira desta episódica construção, que, ainda assim, esperamos que se desenvolva todos os dias.


E porque agora de vozes se falou, vem a propósito o 30º Aniversário, comemorado no passado dia 18 do corrente, na Universidade Nova de Lisboa. Aniversário duplo, pois que era dia do CRAMOL e do IELT - Instituto de Estudos de Literatura Tradicional.

O CRAMOL com as suas vozes matriciais, o IELT com o seu incansável labor em prol da literatura tradicional portuguesa, meus já incontornáveis pilares do ser e do estar nesta vida de escrevinhações.

Aqui se pára! O parágrafo anterior traz-me à inquieta madrinha dessas minhas escrevinhações, desse novo alento trazido aos meus dias: Ana Paula Guimarães.

Para ela... nem sei bem que dizer. Talvez a urgência de lhe erguermos uma estátua que tente competir em pose com o que a Ana Paula traz à vida em substância. Perderá a estátua, é bom de ver, mas que exista para memorização de vindouros, já que temos necessidade de faróis para nos guiarmos.

Do CRAMOL, de algum modo também, pouparei em palavras por cuidar saber mal transmitir emoções, sem resvalar em lugares comuns. Aqui, o nosso silêncio, propiciador de lhes escutar o canto, através do qual podemos, enquanto o Diabo esfrega um olho, ser transportados do centro de Lisboa para uma ruralidade profunda que, tão cheios de betão, mal percebemos como ou porque mexe tanto connosco...

Corolário de anteriores dizeres, aí está a mais recente aventura da Ana Paula Guimarães, em parceria com Ana Gomes de Almeida e Miguel Magalhães: Artes de Cura e Espanta-Males (edição Gradiva, 2009).

Obra apoiada no espólio de recolhas sobre medicina popular de Michel Giacometti, esse estrangeiro que teve artes de nos mostrar transcendências do ser português e que ele próprio assumiu.

Com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, teve, então, lugar na Museu da Música Portuguesa (Casa Verdades de Faria) o lançamento desta monumental obra - 657 páginas - na qual tenho o grato orgulho de também ter dado modesta colaboração, em forma de poemas alusivos à temática.

NOTA MUITO IMPORTANTE - Óptima sugestão de prenda de Natal para oferecer apenas àqueles que vos sejam muito queridos e dignos de o merecer! O critério é vosso...

Impagável, a chamada telefónica que Ana Paula Guimarães «recebeu» de Michel Giacometti, em plena apresentação da obra, pedindo desculpas ao auditório por não ser possível contornar uma chamada telefónica de tal envergadura...

Com uma arte cénica de se lhe tirar o chapéu - não te conhecia esta faceta, amiga! - envolveu-nos com um «diálogo», de que todos ficámos cúmplices, findo o qual... estava apresentado o livro, com todos os condimentos e precisões, e todo o mundo agradado por ter partlhado tão notável quanto inesperada «presença».

Pedra de remate na cumeeira do edifício, o excelente desempenho - perdoem-me o aparente exagero de adjectivos, mas o caso não é para menos - deste galego companheiro de IELT, Ignacio Vilariño.

Actor, contador de histórias, bonecreiro, animador... eu se lá, o que vocências quiserem! O homem enche-nos palco e alma com uma graça, um condimento de especiarias finas, que nos transporta, mundo afora, à Terra do Riso, onde nós, adultos, nos redescobrimos crianças, ainda que não se perca em nós o tempero brejeiro que a vida nos trouxe.

Em palco, um tipo do caraças, este grande Ignacio!

Afixado por: OrCa / 11:14


Novembro 17, 2009

noites com poemas
contares e cantares de Goa


Conservam alguns essa teimosia em cultivar a identidade cultural como se de flor intemporal sem preço, distância ou circunstância se tratasse... Contrariando a facilidade de modas incaracterísticas e massificadoras e clamando bem alto o seu direito à diferença, enriquecedora e redentora.

Vem isto a propósito de me ter apercebido dessa aparente contradição de ainda existir tanto de Portugal em Goa, ao mesmo tempo que há tanto de Goa em Portugal, cultivado esse ser e estar com um desvelo notável e sem aparente esmorecimento por uma comunidade ciosa, então, dessa identidade.

Com a preciosa ajuda do nosso amigo João Coutinho, oferecemos a quem queira deslocar-se, no próximo dia 19 de Novembro (quinta-feira), pelas 21h30, à Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, exemplos vivos da cultura goesa, através da poesia dita por Elsa de Noronha e danças e cantares pelo grupo Ekvat... e o que mais por lá se verá.
Como é quase lema destas sessões, a vossa presença e participação é a sua razão de ser. Contamos convosco.

Afixado por: OrCa / 22:30


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As Minhas Romãs(Paula Raposo)
Belgavista (Pessoana)
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Câimbras Mentais (AnAndrade)
Carlos Peres Feio
chez maria (maria árvore)
Coisas do Gui
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Histórias do mundo (Clara e Miguel)
Isabel Gouveia
Metamorfases
Mudança de Ventos (Márcia Maia)
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Nau Catrineta
Pedro Laranjeira
o estado das artes
Parágrafos Inacabados (Raquel Vasconcelos)
O meu sofá amarelo (Alex Gandum)
Persuacção - o blog (Paulo Moura)
Queridas Bibliotecas (José Fanha)
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Relógio de Pêndulo (Herético)
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Repensando (sei lá...)
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Vida de Vidro
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Correntes de Ver:
desenhos do dia (João Catarino)
Esboço a Vários Traços

Correntes Auspiciosas:
ABC dos Miúdos
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Provérbios

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A P(h)oda das Árvores Ornamentais
Atento (Manuel Gomes)
A Paixão do Cinema
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A Verdade da Mentira
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Crónica De Uma Boa Malandra
Desabafos - Casos Reais
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Lobices
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O Blog do Alex
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Zurugoa (bandido original)

Corrente de Escritas:
A Arquitectura das Palavras (Lupus Signatus)
Além de mim (Dulce)
Ana Luar
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Arde o Azul (Maat)
Ao Longe Os Barcos De Flores (Amélia Pais)
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Branco e Preto II (Amita)
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Cartas Perdidas (Alexandre Sousa)
Chez Maria (Maria Árvore)
Claque Quente
2 Dedos de Prosa e Poesia
Escarpado (Eagle)
Erotismo na Cidade
Fôlego de um homem (Fernando Tavares)
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Insónia (Henrique Fialho)
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Novos Voos (Yardbird)
O Eco Das Palavras (Paula Raposo)
Porosidade Etérea (Inês Ramos)
O Sí­tio Do Poema (Licínia Quitério)
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Paixão pelo Mar (Sailor Girl)
Palavras de Ursa (Margarida V.)
Palavrejando (M.P.)
Poemas E Estórias De Querer Sonhar
Poesia Portuguesa
Poetizar3 (Alexandre Beanes)
Serena Lua (Aziluth)
Sombrasdemim (Maria Clarinda)
Sopa de Nabos (Firmino Mendes)
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A Poesia Nos Blogs - equipagem:
A luz do voo (Maria do Céu Costa)
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ante & post
As Causas da Júlia
Cí­rculo de Poesia
Confessionário do Dilbert
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Estranhos Dias e Corpo do Delito (TMara)
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Poemas de Trazer por Casa e Outras Estórias - Parte III
Poesia Viva (Isabel e José António)
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Que bem cheira a maresia (Mar Revolto-Lina)
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